Isaque formou lavoura naquela terra e no mesmo ano colheu a cem por um, porque o SENHOR o abençoou. O homem enriqueceu, e a sua riqueza continuou a aumentar, até que ficou riquíssimo. Possuía tantos rebanhos e servos que os filisteus invejavam. Estes taparam todos os poços que os servos de Abraão, pai de Isaque, tinham cavado na sua época, enchendo-os de terra.
Então Abimeleque pediu a Isaque: “Sai de nossa terra, pois já és poderoso demais para nós”. Por isso Isaque mudou-se de lá, acampou no vale de Gerar e ali se estabeleceu. Isaque reabriu os poços cavados no tempo de seu pai Abraão, os quais os filisteus fecharam depois que Abraão morreu, e deu-lhes os mesmos nomes que seu pai lhes tinha dado.
Os servos de Isaque cavaram no vale e descobriram um veio d’água. Mas os pastores de Gerar discutiram com os pastores de Isaque, dizendo: “A água é nossa!” Por isso Isaque deu ao poço o nome de Eseque, porque discutiram por causa dele. Então os seus servos cavaram outro poço, mas eles também discutiram por causa dele; por isso o chamou Sitna. Isaque mudou-se dali e cavou outro poço, e ninguém discutiu por causa dele. Deu-lhe o nome de Reobote, dizendo: “Agora o SENHOR nos abriu espaço e prosperaremos na terra”.
Dali Isque foi para Berseba. Naquela noite, o SENHOR lhe apareceu e disse: “Eu sou o Deus de seu pai Abraão. Não tema, porque estou com você; eu o abençoarei e multiplicarei os seus descendentes por amor ao meu servo Abraão.”
Isaque construiu nesse lugar um altar e invocou o nome do SENHOR. Ali armou acampamento, e os seus servos cavaram outro poço.
(Gênesis 26:12-25, NVI)
O Senhor manifesta-se de uma maneira tão poderosa e, contrária aos nossos planos, que por vezes me pego surpresa. Às sete da manhã desta quarta eu estava meditando e escrevendo sobre uma passagem totalmente diferente, quando o Espírito me incomodou e alterou tudo o que eu tinha em mente.
Há aproximadamente um mês, penso eu, pouco depois do Encontrão Nacional de Jovens e Adolescentes 2011, uma galera da CG Itaim e eu fomos para Ermelino nos deparamos com o Rick Reggiani ministrando esta passagem da vida de Isaque. Foi impactante e nos abriu os olhos para muitas coisas que até então estavam despercebidas. Para mim, a ministração sobre os poços entulhados passou longe de ser um mero moralismo religioso.
No século XXI, em plena Terceira Revolução Industrial, às vezes penso estar presenciando o ápice das comunicações. Novas mídias sociais surgem a todo instante, me pergunto como há espaço para tanta informação – sobre ser útil ou não, trata-se de um critério pessoal, relativo e seletivo. E, quem me conhece um pouco melhor (ou não) sabe que, embora inicialmente eu pareça “tímida” (ou um tanto desajeitada, um pouco enrolada com as palavras quando me sinto no centro das atenções, ainda que temporariamente) sabe que eu gosto mesmo dessa coisinha chamada Comunicação Social. Preferências à parte, foco na Palavra. Quando reflito nesse trecho de Gênesis 26, me pergunto o quanto de informação inútil tenho absorvido ultimamente; e esta pergunta não resume-se apenas à mídias sócias, mas também à músicas e livros, além de um leque que eu não saberia contar ou descrever.
Achei engraçado quando ouvi a experiência pessoal do Rick, porque comigo aconteceu de maneira parecida. Não tão parecida, acho. Eu nasci e fui criada em São Miguel Paulista durante a maior parte de minha vida, e sou do tipo que dizem nascer em “berço evangélico”, então não tenho aquele testemunho extremamente comovente que tanto admiramos. Apesar disso, andei afastada dos caminhos do Senhor por aproximadamente três anos e meio. Graças a Deus não tive nenhuma experiência cinematográfica do tipo ‘Sexo, Drogas e...’ (quanto a parte do Rock ‘n’ Roll, não posso dizer que não vivi), e ainda assim não é algo de que eu me orgulhe. No entanto, há pouco mais de um ano, nem eu imaginava o que me aconteceria.
O meu regresso não foi dos mais convencionais possíveis. Enquanto eu estava afastada, continuava orando. Não é como se eu sentisse Deus perto de mim quando eu mesma estava distante, e eu nem sei explicar, mas de fato acontecia. Quando eu me senti cansada de todo o vazio que vivia, quando passei a chorar e ter orações mais profundas, o quadro de minha vida começou a mudar, ainda que isto me fosse imperceptível. Um dia, arranquei todos os pôsteres da parede de meu quarto, joguei fora revistas e CDs sem nem ao menos saber direito o porquê e deixei minha mãe boquiaberta e feliz. Independente do que qualquer um possa pensar, não foi porque alguém chegou e me disse “Olha, estes caminhos estão te conduzindo em morte”, pois até então eu era bem resistente em voltar a congregar devido algumas experiências traumáticas do passado, e quanto ao “conhecimento” bíblico que eu tinha, não costumo considerar algo que não era vivido e praticado, tornando-se assim mera liturgia. Mas foi a partir daí, e de todo um processo que não cabe ser mencionado agora, que cá me encontro hoje para a honra e glória de Deus.
O que eu aprendi, com minha própria experiência e posteriormente foi reforçado pela Palavra foi que A) tudo aquilo que não me edifica tem poder para me destruir e B) não basta ter o conhecimento da Palavra se eu não viver a Palavra. Pode parecer um tanto quanto pesado dizer que algo tem poder para nos destruir, principalmente considerando que nós mesmos concedemos este poder. Me veio uma analogia estranha à cabeça, mas vou usá-la: eu tinha uma camiseta do Guns ‘N’ Roses (nome autoexplicativo, hum), e não era como aquelas camisetonas horríveis de R$ 10 (pelo menos era este o preço antigamente), era bonitinha, feminina, babylook, em relevo, coisa e tal, era bem bonita. Em relevo, a camiseta trazia duas rosas vermelhas lindas e palpáveis... Rosas, saídas das bocas de duas pistolas, quase imperceptíveis pela ausência de contraste na estampa, mas ainda assim estavam ali, apenas esperando seus gatilhos serem puxados. Penso que grande parte das coisas que têm o poder de me destruir aparecerão assim, desta mesma maneira: lindas e agradáveis como rosas, porém, carregadas de morte posteriormente.
E, sobre viver a Palavra, esta é uma escolha a ser feita e refeita diariamente, não pode ser simplesmente algo momentâneo levado pela emoção, ainda que haja quebrantamento (e principalmente se houver). Eu escolhi rejeitar todos os entulhos que tentam poluir meus poços de água viva por livre e espontânea vontade, assim como todas as pessoas que se levantaram naquela terça à noite. Um compromisso foi firmado, e não foi por obrigação nem nada do tipo.
De que maneira eu tenho me posicionado diante deste compromisso?


