Por vezes me pego admirando, por fotografia, grandes obras arquitetônicas, pontos turísticos mundiais famosos. Para ser sincera, prefiro construções simples, Barroco é o meu estilo favorito; mas não deixo de admirar o que é belo.
Quando vejo uma construção bonita penso no tempo gasto, no grau de dificuldade, no trabalho – a beleza do resultado final é diretamente proporcional ao trabalho gasto. Imagino quantas pessoas fizeram parte, não se importando em permanecerem no anonimato enquanto o nome do arquiteto é enaltecido, que ainda assim empenharam o seu tempo, a sua força e dedicação, colaborando com uma grande história sem exigir reconhecimento. Gosto de pensar nestas coisas.
A Distribuição do Trabalho
O sumo sacerdote Eliasibe e os seus colegas sacerdotes começaram o seu trabalho e reconstruíram a porta das Ovelhas. Eles a consagraram e colocaram as portas no lugar. Depois construíram o muro até a torre dos Cem, que consagraram, e a torre de Hananeel. Os homens de Jericó reconstruíram o trecho seguinte, e Jacur, filho de Inri, construiu logo adiante.
A porta do Peixe foi reconstruída pelos filhos de Hasenaá. Eles puseram os batentes e colocaram as portas, os ferrolhos e as trancas no lugar. Meremote, filho de Urias, neto de Hacoz, fez os reparos do trecho seguinte. Ao seu lado Mesulão, filho de Berequias, neto de Mesezabel, fez os reparos, e ao seu lado Zadoque, filho de Baaná, também fez os reparos. O trecho seguinte foi reparado pelos homens de Tecoa, mas os nobres dessa cidade não quiseram se juntar ao serviço, rejeitando a orientação de seus supervisores. (Neemias 3:1–5, NVI)
Entretanto, no versículo 5 vejo uma cena diferente de tudo aquilo que a minha imaginação linda e cor-de-rosa poderia criar: arrogância, soberba e rebeldia. Seria tão mais bonito se a Bíblia dissesse que todos se dispuseram a trabalhar na reconstrução dos muros de Jerusalém, mas no lugar disso, há uma aristocracia relutante que se recusa a participar. Pessoas indispostas.
É comum dizer frases opostas (e clichês) do tipo “Sou apenas mais um na multidão” ou “Vim para fazer a diferença” entre outras frases de efeito, mas a maioria das pessoas que as dizem não sabem o seu real significado. Pessoas pensam em grandes coisas porque querem ser grandes, mas com arrogância desprezam as pequenas coisas, como a reconstrução de um muro. O que seriam as grandes coisas, senão uma soma das pequenas? O que seria do Louvre, de Buckingham e das lindas cidadelas gregas se os pedreiros se recusassem a edificá-las por não serem seus idealizadores, memorizados por séculos?
Diferentemente desses casos, Neemias 3 mostra um quadro de pessoas que se prontificaram a fazer coisas simples como a reconstrução de portas, e por isso tiveram os seus nomes guardados há mais de dois mil anos até os dias de hoje. Estes homens marcaram a sua geração com a sua disponibilidade, humildade e servidão, coisa que a dita “nobreza” não fez.
E nós, como temos feito? Temos nos prontificado a fazer pequenas (porém necessárias) coisas, ou batido o pé em insubordinação atrás de vanglória? Afinal de contas, por que é tão difícil nos esvaziar? Por que esta soberba continua encontrando espaço em nossos corações?
Sem mais a dizer, deixo estes versículos abaixo. Até!


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